
O
rol de aplicativos brasileiros que ultrapassaram os 10 milhões de
downloads no Android não tem só iFood e serviços de táxi. A lista
também tem a presença ilustre de um app de mensagens que carrega um
nome bastante familiar por aqui: o ZapZap. Se você não se lembra,
não tem problema. Ele veio à tona há cerca de quatro anos, quando
o WhatsApp – o original mesmo – foi bloqueado pelo governo por
quase dois dias. E de lá para cá, foi baixado pelo menos 12 milhões
de vezes, de acordo com seu site. Mas o que explica esse sucesso do
app?
Muito
provavelmente o nome, que caiu na boca do povo de alguns anos para
cá. O termo “zap” é inclusive usado por personagens de novelas
da Globo para se referir à troca de mensagens, e “zap zap”
aparece em músicas sertanejas Brasil afora. O próprio Dicionário
Informal tem a expressão registrada como verbete. Mas não dá para
negar que o aplicativo teve seus méritos.
Era
uma vez, no Pará...
O
ZapZap foi criado por Erick Costa, um desenvolvedor paraense que
resolveu transformar o apelido do WhatsApp em realidade, conforme ele
mesmo explicou em uma entrevista. O aplicativo é todo baseado no hoje popular Telegram, que tem
uma boa parte de seu código aberto para que programadores criem
usando a API.
A
ligação é tão próxima que a URL das páginas dos dois
aplicativos no Google Play é basicamente a mesma – a única
diferença é um “erick” ali no final do endereço. As conversas
do Telegram ainda são “importadas” para o aplicativo nacional
quando os dois são acessados com um mesmo número de telefone, e as
notificações aparecem em dobro caso ambos estejam instalados.
A
ideia foi alavancada quando o WhatsApp foi tirado do ar no Brasil por
uma decisão judicial. Na busca por novas formas para se comunicar,
os brasileiros foram atrás de alguns nomes óbvios, como o próprio
Telegram, o Viber, o Line e outras opções que apareceram em
diversas listas internet afora. O ZapZap veio nessa onda, aparecendo
muitas vezes como uma alternativa curiosa justamente por causa do
nome abrasileirado – e dos muitos recursos oferecidos.
O
aplicativo de Costa trazia praticamente tudo que o app originário da
Rússia tinha. Ainda hoje, é possível incluir milhares de pessoas
em um grupo, criar e seguir canais de conteúdo, baixar e usar
stickers, fazer chamadas de voz e trocar mensagens secretas. Muitos
dos “podres” do Telegram, também vieram junto, mas o ZapZap tem seus diferenciais.
De
paquera a mensagens motivacionais
Além
de tudo que o Telegram tem, o ZapZap conta com alguns grupos e canais
próprios. Eles ficam “escondidos” em um menu lateral, que lista
o ZapGrupos, o ZapCanais e o ZapFeed, uma espécie de mural público
onde usuários postam seus bons dias e se oferecem para conversar.
Nessa “rede social”, porém, podem aparecer também fotos não
muito recomendas para o horário, mas todos esses conteúdo
irregulares podem ser denunciados.
É
entre os grupos que a história fica mais curiosa. Hoje, os mais
populares e ativos do app são os dedicados a paquera, com nomes na
linha de “Namora à distância”, “Paquerolândia”, “Atração
Fatal” (este proibido para menores de 16 anos), “Namoro Online”,
entre vários outros. Também aparecem listados grupos de
compartilhamento de música sertaneja, na linha dos que existem
também no Telegram, e memes. Mas os de paquera são, de longe, os
mais populares.
Já
nos canais, as mensagens motivacionais são o tema de alguns dos
principais. Mas elas acabam se misturando com outros que distribuem
de conteúdos de todos os tipos, de religiosos a adultos. É
praticamente um grupo de família de WhatsApp, mas povoado por
milhares de pessoas divididas em diferentes ramificações.
E
aonde isso vai parar?
O
ZapZap recebeu sua última atualização no dia 6 deste mês, o que
indica que ainda recebe correções e novos recursos. A página do
app no Facebook e a conta no Twitter, no entanto, não são
atualizadas há algum tempo, e o repositório no GitHub também não
está muito movimentado.
Ainda
assim, Costa, o desenvolvedor por trás do aplicativo, confirmou
ao Olhar
Digital,
por e-mail, que o ZapZap continua "ativo e em crescimento".
Além disso, sem entrar em muitos detalhes em um primeiro contato,
disse que dará "um novo passo muito grande com o app dentro de
algumas semanas". De toda forma, dá para especular um pouco: a
versão para iOS comentada na época que o programa ascendeu à fama
não chegou a ser lançada até hoje. Pedimos mais detalhes, mas não
tivemos resposta até a publicação desse texto.
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